segunda-feira, 23 de abril de 2012

“Fairy Tales”

Um dia eu acreditei que contos de fadas existiam, afinal, o primeiro filme no cinema que eu assisti foi “A bela e a fera”, com meros sete anos.

Desde então foram todas as coleções de contos de fadas da Disney. Da “Pequena Sereia”, “Cinderela”, “Bela Adormecida” (meu favorito).

E o mais incrível era o programa da cultura que também levava o nome “Fairy Tales” (mas que contava o conto de forma fidedigna), lembro que fiquei chocada quando soube que a Pequena Sereia morria no conto original.... Saudade do tempo que a única coisa que me decepcionava era o simples fato de não poder ser uma princesa de verdade!!

Acho que é o mesmo choque de crescer, encarar o mundo e se dar conta que príncipes não existem e que a vida é dura, cruel e rodeada de madrastas, monstros, dragões. Ou olhar com uma visão mais positiva e acreditar que sapos viram príncipes e às vezes ocorre o contrário, o príncipe vira sapo, ou melhor, o príncipe tem defeitos. E que bom que tem. É gente, tem vida, tem a sombra, a luz, o lado bom, o lado ruim.....

Amar alguém, se encantar, se fazer encantar, não devia ficar somente no “eu amo porque...” e sim no “amo apesar DE...” de perceber que todos os defeitos que te irritam fazem você odiar a pessoa “por quase um segundo” e depois amá-la mais, como já dizia Herbert Vianna.

Eu amei, odiei e amei mais.

Eu não soube amar, eu não soube me doar.

Magoei, me magoei, aliás, o grande mal que eu fiz foi a mim mesma.

Deixei pessoas importantes escaparem pelos dedos. Aquela, AQUELA pessoa que você conheceu por acaso e foi o acaso mais lindo da sua vida. Mas como eu disse e repito, nem tudo é conto de fadas, e algo no meio do caminho deu errado, aliás, não era no meio. Era no todo, era no inicio, no meio e foi no fim. O pior de todos os fins, o com raiva, mágoas, farpas trocadas, rancor, vontade de atingir e de certa forma no fundo dizer “Hey, eu fiz tudo errado, mas eu voltaria no tempo se fosse possível e mudaria tudo...”

Acredito que o fim nem sempre é o final, e que finais felizes nem sempre acontecem. Não acredito nem mesmo no fim. Fim. Quão angustiante pode ser esta palavra? Angústia de finitude, de acabar. Mas o que de fato acaba é somente a morte, e nem mesmo sabemos se após a ela existe um fim. Então quem garantirá que em vida algo é finito.

Não existe fim, existem novo inícios...e é um novo início que procuro, que almejo. Dizem que o amor acaba, que o amor termina. Mas não é verdade. Nada acaba, tudo dura, continua e se transforma.

Hoje vejo o medo que tive de encarar um amor, depois veio coragem, veio o salto sem rede que tantas vezes se chama amor. Naquele momento eu precisava ser forte, finalmente, sem escapes, eu consegui atravessar aquele rio eterno. Como se num instante, eu tivesse vivido todos os anos que ainda estavam parados em mim, me esperando.

Vi ele indo embora, sendo levado de diferentes formas, tantas e tantas vezes. E depois vi no último dia, no último abraço ele voltando e no fundo de seus olhos, como num rio, tudo que a gente não tinha vivido. A partir daí eu me vi dividida entre dois amores, entre duas vidas: uma que eu estava vivendo e outra que eu jamais tinha podido viver.

Eu entendi que não tinha mais divisão nenhuma. O que tinha sido vivido, o que tinha ficado pra trás, tudo, era parte de uma mesma história, de uma mesma vida e de um mesmo sentimento: amor. E foi então que eu me vi cruzando a fronteira.

Como se eu tivesse alcançado a outra margem de um rio, onde do lado de cá, adultos maduros finalmente libertos daquele fardo pesado feito de lembranças, de sonhos antigos podem viver

2 comentários:

  1. hey gatinhaa!!adorei!!!blog eh mto bom tanto para ler quanto para escrever..vou vencer a preguiça e fazer o meu.
    Visitarei aqui sempree,ok?!
    beijoos

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  2. Opa, seja bem vinda! faça o seu e grite nele tudo o que tiver vontade =)

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